O que devo saber antes de fazer uma proposta?

Parece um absurdo falar que só vender não é o suficiente para alcançar o sucesso hoje em dia. Durante minha jornada como advogado, percebi que o que menos importa é o resultado, porque essa é uma variável que não podemos controlar. Sendo essa a mesma lógica para o mundo dos negócios. O começo é o mais importante, porque serve de base para a jornada. É como se fosse um castelo de cartas, se a base não estiver forte ele vai desmoronar, e é justamente isso que precisamos entender de uma vez por todas.

Toda proposta realizada, seja verbal ou escrita, te obriga a entregar determinado resultado. Não, não importa se você falou brincando ou omitiu um “pequeno” detalhe importante. A regra é clara, a proposta obriga o proponente.

Assim, se eu pudesse dar quatro dicas hoje para te ajudar a melhorar a sua base do castelo, seriam:

1. Procure sempre fazer a proposta por escrito

Quando digo por escrito, não significa que o documento deva ser extenso ou com formato complexo, mas apenas que a sua intenção esteja formalizada, ou seja, quais são suas promessas/expectativas e qual o resultado esperado do negócio. ⠀ Não estamos mais no século passado, em que tudo era colocado em letras pequenas na menor fonte possível, no rodapé da folha. Estamos na era da informação, todo mundo sabe o seu direito e é por isso que temos que ser 100% transparentes em tudo que fazemos.

Isso tudo porque a legislação brasileira entende que dependendo da forma que uma promessa de resultado nasça, ela pode ser válida, anulável ou nula, portanto, se o que for prometido não for cumprido a pessoa que prometeu pode ser penalizada!

2. Não esqueça do prazo de validade;

Questão tão básica e tão esquecida na rotina de vendas, que pode evitar a execução de serviços com preço de propostas desatualizadas.

A proposta deixa de ser obrigatória:

I. Quando feita pessoalmente:

a) com prazo de validade: quando ultrapassado o prazo; b) sem prazo de validade: se não for imediatamente aceita.

II. Quando feita à distância:

a) com prazo de validade: quando ultrapassado o prazo;

b) sem prazo de validade: quando tiver decorrido tempo suficiente para chegar à resposta ao conhecimento de quem a fez.

Importante ainda lembrar que se, antes da proposta ou simultaneamente, chegar ao conhecimento da outra parte a retratação do proponente, a proposta também deixa de ser obrigatória. ⠀

3. Use palavras simples

Quando uma pessoa lhe pede para repetir o que falou porque ela não entendeu, você se desafia para dar o seu melhor e explicar novamente?

O sucesso de uma boa comunicação está na simplicidade, porque o objetivo fundamental é que o outro consiga entender com clareza o que está sendo comunicado.

Não podemos mais perder tempo com firulas e modelos padrões enfeitados. Precisamos focar no resultado, utilizar uma linguagem clara, concisa e objetiva. ⠀

Lembre-se: simples e objetiva não significa superficial, mas somente o necessário.

4. Faça ressalvas

Nas diversas reuniões que participo, uma das questões que mais chama atenção é o grau de ceticismo de gestores de empresa com negociações preliminares e contratos.

O que confirma a pesquisa feita pelo Sebrae realizada em 2018, que teve o seguinte resultado: “1 a cada 4 empresas fecha antes de completar 2 anos no mercado”.

Há várias teorias, mas eu acredito que 90% dessa estatística está diretamente relacionada ao fato de as pessoas não entenderem uma única coisa. Construir uma base sólida é o que vai garantir o sucesso no longo prazo e para construir essa solidez, é fundamental que os gestores entendam que palavras têm poder e o que é prometido tem que ser cumprido.

Assim, a dica de ouro são as cláusulas de condição. Condição é evento futuro e incerto. O que significa que você pode fazer uma ressalva na sua proposta, ou seja, deixar claro que se for verificada determinada situação a proposta pode ser desfeita ou suspensa.

O combinado não sai caro, se a regra for feita no começo do jogo, você vai evitar muito prejuízo!

É fundamental investirmos mais tempo com o básico. O sucesso de uma jornada depende do começo e se você não começar do jeito certo, você vai virar estatística.

Victor Valdívia Membro efetivo da Comissão de Direito Empresarial e Direito Bancário da OAB Santos Especializado em Direito Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGVLaw) Formado em Direito pela Universidade Católica de Santos